Três igrejas de Martha's Vineyard abrem suas portas para pessoas sem abrigo

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The Federated Church has joined St. Andrew's and Grace Church as a temporary winter homeless shelter. — File photo by Ralph Stewart

A partir do dia 1 de janeiro até o dia 31 de março, três igrejas da Ilha irão abrir suas portas para qualquer indivíduo que precise de um lugar quente e seguro para se abrigar durante toda a semana, assim como nos finais de semana. Seja um indivíduo que é cronicamente desabrigado, ou esteja sem aquecimento em sua casa, ou apenas precise de um lugar por uma ou duas noites. Camas, jantar e café da manhã serão providenciados.

A iniciativa é chamada Hospitality Homes, casas de hospitalidade. A proposta foi encabeçada pelo Reverendo Vincent “Chip” Seadale, reitor da igreja St. Andrew’s Episcopal e é patrocinada pela associação do clero da Ilha. As casas de hospitalidade terão em suas equipes voluntários de aproximadamente quatorze organizações religiosas da ilha.

A igreja Federated Church abrirá suas portas nas segundas e quintas; a igreja Grace Church nas sextas e a igreja Saint Andrew’s nas terças, quartas, sábados e domingos.

Em outubro, a única igreja disponível tanto em vontade como em espaço era a Saint Andrew’s. As outras duas igrejas enfrentam o problema de espaço limitado, como uma agenda repleta de serviços para seus membros. Entretanto, à igreja Federated Church assim como Grace Church disponibilizaram-se em novembro, tornando as casas de hospitalidade possíveis.

“A igreja Federated Church sempre teve interesse em fazer parte desta iniciativa, porem nós estávamos em transição,” a reverenda da igreja, Amy Edwards disse em uma entrevista pelo telefone com o MVTimes. “Como uma nova pastora há tantas coisas que eu preciso aprender sobre à ilha. Algumas pessoas tinham a impressão de que as casas de hospitalidade era um projeto que parecia ser grande demais para fazermos parte enquanto ainda estávamos passando por transições.”

À reverenda Amy Edwards tornou-se em agosto a primeira mulher a ocupar o posto de pastora da igreja Federated Church em 373 anos de historia da igreja.

“Obviamente, todos entendem a importância de abrir as portas de nossa igreja a aqueles que não tem abrigos.” disse Rev. Amy. “Era uma questão se poderíamos fazer parte, e como faríamos parte da iniciativa.” O conselho acabou por votar a favor da iniciativa e a igreja Grace Church fez o mesmo, logo após à decisão da igreja Federated church.

A ideia de um abrigo foi proposta em março, reuniões informais começaram este verão. O treinamento para voluntários começou a pouco mais de um mês atrás. (com o intuito de preparar voluntários para o programa do abrigo.

Quase 75 voluntários participarão do treinamento mandatário, e quase 150 pessoas de diversas denominações religiosas expressaram desejo de se envolver com a iniciativa, segundo o reverendo Seadale. Os turnos de voluntários serão de 6:30 da noite até as 10 da noite  e das 10 da noite as 7 da manhã. Os voluntários  ajudarão a servir o jantar e o café da manhã. As portas serão trancadas exatamente às 8 da noite todas as noites, e se ninguém aparecer, os voluntários serão dispensados.

As sete igrejas da ilha que já fornecem jantares gratuitos durante o mesmo período ajudarão com a distribuição dos alimentos todas as noites. Cada localização irá armazenar comidas não perecíveis para o café da manhã, mas de acordo com o Reverendo Seadale, a ideia é de obter ajuda de centros de comida em Boston. A janta será servida todas as noites às 7:30 da noite.

O reverendo Seadale se diz otimista sobre o programa piloto, e espera que a iniciativa ajude a comunidade a compreender quem faz parte do grupo de pessoas que não possuem um abrigo (quem são os desabrigados da Ilha) e a necessidade de haver um programa como as casas hospitaleiras. Ele também não sabem quantas pessoas precisarão da ajuda fornecida, mas ele espera que os voluntários saibam o quanto a presença deles também é necessária.

Decisão Parcial

Tentativas de definir o número de pessoas sem abrigo na ilha tem sido um tanto quanto difícil devido ao clima, e também devido a definição que o estado de Massachussets dá a alguém considerado um morador de rua. Até agora, estimativas de quantas pessoas são consideradas moradores de rua ou desabrigados na ilha variam de 0 para mais de 100 pessoas, depende da definição usada e da criteriosidade, por exemplo, pessoas que não possuem um lar ou pessoas que passam um tempo no sofá de seus amigos.

Definições federais do departamento de casas e desenvolvimento urbano são limitadas, e são essas definições as quais os municípios aplicam para fundos. O departamento não considera morador de rua: alguém que tenha passado algum tempo em abrigo, na casa de amigos, ou em qualquer lugar que tenha servido como abrigo.

Em outubro, um grupo de estudantes da Universidade de Massachusetts de medicina e escolas rurais foram comissionados pelo município de Dukes County a vir à ilha para conduzir um estudo na população de moradores de rua de Martha’s Vineyard.

Os estudantes utilizaram as definições impostas pelo departamento de casas e desenvolvimento urbano para conduzir o estudo. Os estudantes eram alunos de enfermagem ou medicina que visitam a ilha para conduzir estudos em diversos tópicos. Eles apresentaram suas descobertas após dez dias de entrevistas com residentes da ilha, os quais interagem com moradores de rua e concluíram que o problema é a exclusividade da ilha.

Os alunos se mostraram incrédulos sobre a severidade dos residentes da ilha em procurar uma solução, já que uma porcentagem alta de entrevistados disseram que se as pessoas não são capazes de pagar o preço necessário para se morar na ilha, elas deveriam mudar-se para outras regiões.

Os estudantes também tiveram que desenvolver um método de pesquisa para contar o número de pessoas que são moradores de rua, de acordo cominformações da polícia, instituições não governamentais, pessoas que auxiliam com emergências médicas e outras organizações que interagem com moradores de rua. Entretanto o resultado da pesquisa só será revelado após um determinado tempo, para que o número de pessoas consideradas moradores de rua possa ser incluso também no período do inverno.