Saudade: News from and for the Brazilian community/Notícias de e para a comunidade brasileira

How to learn English.

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Some of the Brazilians who will participate in the English pilot program launched by the First Brazilian Baptiste church of Martha's Vineyard, from left: Carmita Brito, Vanderléia Do Nascimento, Erineuda Pereira, Neuza Prado, Darlene Honorato, Fatima Ronzane, Silvane Jacobs, Juliana Lima, Maria Alves, Grasielle Costa, Elizangela Santos, Marcos Oliveira Santos, Eliene Cardoso, Lenilton Alves, Juscirley and Mirelle Pinto, Renato Santos and Eduardo Nunes. — Photo by Juliana Germani

A tradução deste artigo se encontra no final da versão em inglês.

In general, Brazilians don’t speak English well. In an international proficiency ranking of the language collected by the education center, EF Education First, Brazil came in the 38th position out of 63 countries.

The lack of ability to speak English begins with Brazil’s public school system. Another study conducted by Instituto Plano CDE, requested by British Council, showed that only 33 percent of the English teachers in Brazil’s public schools have an English proficiency certificate. If the teachers don’t know the language well, how can the students obtain success? Unfortunately, the administrators in the public schools in Brazil are willing to accept “good enough” as the passing standard. No student will be held back if he or she doesn’t perform well in English classes. The focus is on subjects such as Mathematics and Portuguese.

And yet our culture is heavily influenced by American culture and English is everywhere: in the music we listen to, on our TV shows, at the American franchise restaurants we go to on date nights, English words have begun to feel as natural as our own language.

In Brazil, English words, despite the accent, are used very naturally in conversation. Words such as video game, mouse, diet, light, hamburger, milkshake, fashion, email, Black Friday and many others are part of our daily vocabulary.

The number of illiterate Brazilians living on Island is daunting. There are also the Brazilians that studied for a while and then, due to personal circumstances, had to abandon their dream to get an education in order to work for their survival and the survival of their families. Most Brazilians never went to private schools, where education is viewed differently. Only the middle to upper class can afford the high cost of private schools in Brazil.

When one makes the decision to pursue the dream of living abroad, it’s possible to underestimate the importance of learning a new language. It isn’t until you are living in the new country and encounter situations where you feel utterly powerless due to the lack of proficiency in the language that you start to feel limited and at times discouraged.

At the beginning of the year, the First Brazilian Baptist Church of Martha’s Vineyard launched a pilot program. The church rented an office space, hired a teacher proficient in Portuguese and English and is slowly molding a program that might help Brazilians on the Island improve their English. The program welcomes all members of the Brazilian community, not just the congregation members. One of the aspects that truly encourages people to study is that if an individual cannot afford the classes, the Church will foot the bill until next summer when the individual will have an opportunity to pay the Church back. The Church also began to offer instrument lessons for its members and Portuguese classes for all Brazilian children. The Church hired two Brazilian women who were already Portuguese teachers in Brazil to help Brazilian parents encourage their kids to speak, read, and write in their parents’ mother tongue.

I was 17 when I began to learn English, and I still remember my first day in high school. Up until lunch time, I had had ESL (English as second language) classes, and it wasn’t until I was put in computer classes, in which the teacher and the students in the class didn’t know Spanish, that I realized I had a long way to go. I panicked, started to cry, and the teacher had to call security to take me to my counselor’s office. That experience helps me empathize with members of the Brazilian community who are struggling to learn. I know how it feels to have had a life where you were your own advocate, independent and articulate, and then have that reality completely changed by going to live in  another country.

As an English teacher, my advice is to use technology to help you achieve proficiency. Nowadays there are apps, games, and YouTube videos, plus you live in a country where you get to practice the language as often as you wish. Get out of your comfort zone and start to strike up conversations with folks who only speak English; go to American establishments, at least, four times a month; and change your computer and smartphones and Facebook account to English. Just like anything in life that poses a challenge, immerse your heart and soul in it. You can do it. And it can be a lot of fun.

Portuguese translation – Tradução em português

Em geral, brasileiros não costumam falar o inglês de modo correto . Em um teste requerido pelo instituto de proficiência internacional coletado pelo centro de educação, EF Education First, o Brasil ficou em 38º entre 63 países.

A falta de habilidade em falar inglês começa com o sistema de ensino nas escolas públicas do Brasil. Um outro estudo conduzido pelo Instituto Plano CDE, requerido pelo British Council, mostrou que apenas 33 porcento dos professores de inglês no Brasil têm um certificado de proficiência em inglês. Se nem os professores falam bem inglês, como os alunos irão obter sucesso? Infelizmente, os administradores das escolas públicas no Brasil estão dispostos a aceitar o inglês “quebra galho”. Nenhum estudante irá repetir de ano caso seu desempenho não seja bom. O foco das administrações são em matérias como matemática e português.

Mesmo assim a cultura brasileira é fortemente influenciada pela cultura americana e inglês está presente em tudo que fazemos: nas músicas que escutamos, nos shows de televisão, nos restaurantes de franquias americanas onde nós saímos para comer fora. Palavras em inglês são tão naturais para nós como a nossa própria língua.

No Brasil, palavras em inglês, apesar do sotaque, são usadas de forma muito natural em conversação. Palavras como vídeo game, mouse, diet, light, hamburguer, milkshake, fashion, e-mail, Black Friday, assim como muitas outras fazem parte do vocabulário usado em nosso cotidiano.

O número de brasileiros analfabetos ou semi analfabetos na ilha é estarrecedor. Existem também brasileiros que estudaram por um tempo e depois devido as circunstâncias, tiveram que abandonar seus sonhos de obter uma educação para a sua sobrevivência e a de suas famílias. Muitos brasileiros nunca frequentaram escolas particulares, onde a educação é vista de uma forma diferente. Somente a classe média e alta tem condições financeiras de pagar o alto preço das mensalidades.

Quando alguém toma a decisão de correr atrás de seus sonhos em um outro país, é possível que a importância de aprender a língua do país seja subestimada. É somente quando você passa a morar num novo país, e encontra situações nas quais você se sente completamente impotente devido a falta de proficiência da língua, que então você começa a sentir-se limitado e muitas vezes até desencorajado.

No começo do ano, a igreja batista de Martha’s Vineyard deu início a um programa piloto. A igreja alugou um escritório, contratou um professor proficiente em ambas as línguas, português e inglês, e está moldando aos pouquinhos um programa que possa ajudar os brasileiros da ilha a melhorar ou aprender inglês.

O programa foi aberto a todos os membros da comunidade brasileira, não apenas aos membros da congregação. Um dos aspectos que é extremamente encorajador para as pessoas que querem aprender mas no momento não podem pagar pelas aulas, é que à igreja irá pagar por elas e no verão essas pessoas poderão pagar à igreja. A igreja também iniciou lições de instrumentos musicais para os membros de sua congregação e lições de português para as crianças brasileiras ou americanas com pais brasileiros. A igreja contratou duas mulheres brasileiras, já professoras de português no Brasil para ajudar os pais a encorajar seus filhos a falarem, lerem e escreverem na língua nativa de seus pais.

Eu tinha dezessete anos quando comecei a aprender inglês, eu ainda lembro do meu primeiro dia de aula em uma escola americana de ensino médio. Até a hora do lanche, onde eu havia tido aula com professores que falavam espanhol tudo tinha ido a mil e uma maravilhas, porém após o lanche eu tive aula de computação com uma professora que falava somente inglês, foi quando percebi que tinha um longo caminho a percorrer. Eu entrei em pânico, comecei a chorar e a professora teve que chamar o segurança para me escoltar até o escritório do meu conselheiro. Esta experiência me ajudou a simpatizar com os membros da comunidade brasileira que estão na luta para aprender inglês e encontram dificuldade. Eu sei como é ter uma vida onde você é o seu próprio advogado, independente e articulador, e de repente a sua realidade muda totalmente quando você decide morar em outro país.

Como professora de inglês, meu conselho é: use a tecnologia a seu favor para obter proficiência no inglês. Hoje em dia existem aplicativos, jogos, vídeos no YouTube com professores ensinando inglês, sem contar que morar em um país onde a língua que você está aprendendo é a língua falada ajuda muito, já que você sempre terá oportunidade de praticar. Saia da sua zona de conforto, e puxe assunto com falantes somente de inglês com o intuito de utilizar tudo que já sabe e não desistir e falar em português, vá a estabelecimentos americanos ao menos quatro vezes por mês e mude a língua de seus aparelhos eletrônicos para inglês e do mesmo modo o Facebook. Assim como tudo na vida que possa ser um desafio, imersa seu coração e alma. Você chega lá. Prometo que vale a pena e pode ser muito divertido.