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Visiting Brazil.

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Cory Medeiros and Jerry Da Silva at an Aqua Park in Mantenópolis, Espírito Santo, with Jerry's cousins and brothers. — Juliana Germani

A tradução deste artigo se encontra no final da versão em inglês

During winter break, Jerry Da Silva and Cory Medeiros visited Brazil. For Jerry, it was his second time visiting his parents’ home country; the last time he went to Brazil was when he was ten years old, and for Cory, it was his first time. When the Brazilian Consulate came to the Island at the beginning of December last year, Cory was one of the Americans who benefited from their services. Cory Medeiros and Jerry Da Silva are high school seniors this year, and have been friends even before preschool; their bond is so strong that they call each other’s parents “Dad” and “Mom.” Cory, who took Portuguese in high school, even goes a step further and says it in Portuguese, including asking for blessings when saying hi to Jerry’s parents. In some regions in Brazil, it is customary to say to your elders (every time you see them) “benção Pai, benção Mãe,” which freely translates to “blessings Mom, blessings Dad.” I remembered the first time I saw Cory greet Jerry’s father that way — I remembered thinking that their friendship transcended any cultural norms. Here’s a little bit about their trip.

How did you decide to go to Brazil?

Cory: Jerry’s father has always joked about how both our families needed to travel together to Brazil since we were probably six years old and I guess this year we just took it seriously.

How was it to get the visa?

Cory: Well, I didn’t know the procedures, or that Americans needed a visa, which is probably something others who want to travel to Brazil need to be mindful of — the process to get everything took awhile, but in the long run it wasn’t too challenging. I was lucky that the Brazilian Consulate came to the high school, which facilitated the process for sure.

What places did you visit?

Cory: We went to a very rural area of two states, the states that most Brazilian on-Island come from, Espírito Santo and Minas Gerais. We visited big cities such as Vitória, Espírito Santo’s capital, and Belo Horizonte, Minas Gerais’ capital, but also went to Jerry’s father’s farm in Frei Lagonegro, which is pretty far removed from a big city.

How was it to visit all these places?

Jerry: We didn’t have phone services, just Wi-Fi. Cory would sometimes mention that there wasn’t anything to do, but then I would tell him that he had to change his perception, we had to create what we wanted to do. There was also a sense of freedom that, despite living on an Island, I only got visiting Brazil.

Jerry, how do you think Cory’s experience was with visiting Brazil?

Jerry: Well, he certainly got out of his comfort zone and had the opportunity to see what poverty is, and saw what it might be for an immigrant to have to adapt to a new country, which I believe is indeed something people need to experience — it teaches you compassion and empathy. He also got to experience what family means for Brazilians, and how open Brazilians are toward strangers and how much they want to share themselves. He met 25 of my relatives in less than two hours. I remembered that Cory thought it was strange when we went to buy ice cream, and my cousin offered Cory a lick of his ice cream before he even took one himself. I know that that form of generosity and thinking of others in that way seemed a bit foreign to him and also to me — it’s not what Americans necessarily do.

Will you go back?

Cory: Oh, even before we landed back, I said I would like to go back. My trip to Brazil was a once-in-a-lifetime opportunity that I will never forget. Leading to the trip, I was so excited, and my expectations for what our time was going to be like didn’t fall short — it was a long flight though, 12 hours altogether. When I finally stepped outside into the hot, humid weather (in December, nevertheless) and realized that I finally made it to Brazil, it was a fantastic feeling. The first day in Belo Horizonte was something I will always remember. On the car ride into Belo Horizonte, I witnessed poverty in a way I had never seen, which was such a culture shock, and I will forever be grateful for what I have in life, because you never realize how fortunate you are until you see that other people’s lives are very different compared to your reality.

Any lessons from the trip?

Cory: In my time in Brazil, I learned many life lessons, and one of them would be what I said earlier: Never take anything for granted, because from living in the United States and living with a roof over your head, having Internet, as well as clean running water, is something to be grateful for; many people in the world aren’t as fortunate. From first seeing what Jerry’s farmhouse looked like — it didn’t have a ceiling, nor did it have food and clean water, and it was a massive shock to me and something I will always remember because you have to remember that not everyone has it as well as you do.

Favorite memories?

Cory: After Frei Lagonegro, we went to a town called Mantenópolis to see Jerry’s grandmother and spend time with friends. While I was there, we went mango picking, went to an aqua park, etc. … It was a pleasure to meet so many wonderful people while I was in Brazil and spend time getting to know one another. While in Mantenópolis, we went out at night with friends, had dinner, and much more. It was interesting to me how late people stay up at night because I can remember one night staying up and out until 2 in the morning and yet nobody was tired, which was weird to me but at the same time a great experience because yet again you get to see how people live.

Vitória in Espírito Santo was my favorite part of the trip, Vitória is a massive city on the east coast of Brazil with gorgeous beaches and views. It was terrific in many ways, from going to the beach and getting served by a waiter at the beach at any moment in time. Also from going into the city and being with Jerry while he got his first tattoo. Brazil taught me a lot.

I can’t say much more besides that my trip to Brazil with my best friend Jerry will be one that I will always carry with me for as long as I live.

Português translation – Tradução em português

Durante as férias de inverno, Jerry Da Silva e Cory Medeiros, visitaram o Brasil. Para Jerry, esta foi a sua segunda vez visitando o país de origem dos seus pais; a última vez que ele foi ao Brasil foi quando ele tinha dez anos, e para Cory, esta foi sua primeira visita. Quando o Consulado do Brasil de Boston veio à ilha no início de dezembro do ano passado, Cory foi um dos americanos que se beneficiaram dos serviços consulares. Cory Medeiros e Jerry Da Silva são alunos do último ano do ensino médio e se tornaram amigos antes de até mesmo ingressarem no jardim de infância; seu vínculo é tão forte que eles chamam os pais um do outro de “pai” e “mãe”. Cory, que fez aulas de português nos seus dois primeiros anos do ensino médio, chama os pais de Jerry de pai e mãe em português mesmo, inclusive pedindo bênçãos ao dizer oi aos pais de Jerry. Em algumas regiões do Brasil, é costume dizer as pessoas mais velhas de sua família (cada vez que você os vê) “benção pai, benção mãe”. Me lembro da primeira vez em que eu ouvi o Cory cumprimentar o pai de Jerry assim – eu percebi que a amizade dos dois transcendia as normas culturais. Aqui detalho um pouco sobre a viagem que fizeram ao Brasil.

Como vocês decidiram ir ao Brasil?

Cory: o pai do Jerry sempre brincou sobre como ambas famílias precisavam viajar juntas para o Brasil, desde que provavelmente tínhamos seis anos, e acho que este ano acabamos o levando a sério.

Como foi para obter o visto? 

Cory: Bem, eu não conhecia os procedimentos, ou que os americanos precisavam de um visto, o que provavelmente é algo que quem quiser viajar para o Brasil precisa estar atento – o processo para obter tudo demorou algum tempo, mas, ao longo prazo, não foi muito difícil. Tive a sorte de que o Consulado do Brasil veio à escola antes da nossa viagem, o que facilitou o processo com certeza. 

Quais lugares vocês visitaram? 

Cory:  Nós fomos para uma área muito rural de um dos dois estados que visitamos, visitamos os estados os quais a maioria dos brasileiros na ilha são nativos, Espírito Santo e Minas Gerais. Visitamos grandes cidades como Vitória, capital do estado do Espírito Santo e Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais, mas também fomos para a fazenda do pai do Jerry em Frei Lago Negro, que está localizada bem distante de uma cidade grande. 

Como foi visitar todos esses lugares? 

Jerry: Não tínhamos serviços de telefone, apenas acesso ao Wi-Fi. Cory às vezes mencionava que não havia nada para fazer, mas eu dizia a ele que ele tinha que mudar sua percepção, tinhamos que criar o que queríamos fazer. Havia também uma sensação de liberdade que, apesar de viver em uma ilha, eu só consegui sentir visitando o Brasil. 

Jerry, como você acha que a experiência do Cory foi com a visita ao Brasil? 

Jerry: Bem, ele certamente saiu da sua zona de conforto e teve a oportunidade de ver o que é a pobreza e viu como é que é para um imigrante se adaptar a um novo país, o que acredito que é realmente algo que as pessoas precisam experimentar – a experiência ensina compaixão e empatia. Ele também conseguiu experimentar o que a família significa para os brasileiros, e como os brasileiros são receptivos e o quanto eles querem compartilhar suas vidas com as pessoas, mesmo mal conhecendo as mesmas. Ele conheceu 25 de meus parentes em menos de duas horas. Me lembro que o Cory achou estranho quando fomos comprar sorvete e o meu primo perguntou ao Cory se ele queria provar o sorvete antes mesmo dele experimentar. Eu sei que essa forma de generosidade e pensar nos outros dessa maneira parecia um pouco estranho para ele como para mim também – não é o que os americanos necessariamente fazem. 

Você vai voltar ao Brasil? 

Cory: Oh, antes mesmo do avião aterrizar, eu disse que gostaria de voltar. Minha viagem ao Brasil foi uma oportunidade única que eu nunca esquecerei. A antecipação de antes de nossa viagem, fiquei tão entusiasmado, e minhas expectativas quanto a como seria foram ainda melhores do que esperava- foi um longo voo, 12 horas de viagem no total. Quando finalmente pisei no clima quente e úmido (em dezembro) e percebi que finalmente havia chegado no Brasil, foi um sentimento fantástico. O primeiro dia em Belo Horizonte foi algo que sempre me lembrarei. No passeio de carro a caminho de Belo Horizonte, testemunhei a pobreza de uma maneira que eu nunca havia visto, o que foi um choque cultural, e sempre vou agradecer pelo que tenho na vida, porque você nunca percebe o quanto você é privilegiado até você ver que as vidas de outras pessoas são muito diferentes em comparação com a sua realidade. 

Alguma lição da viagem? 

Cory: No meu tempo no Brasil, aprendi muitas lições de vida, e uma delas seria o que eu disse anteriormente: nunca se esqueça das vantagens que tem em sua vida porque por viver nos Estados Unidos eu tenho um teto sobre a minha cabeça, acesso à Internet, bem como água corrente limpa, e tudo isso são coisas para agradecer; muitas pessoas no mundo não são tão privilegiadas. Desde de ver que a casa da fazenda do pai do Jerry não tinha teto, nem comida ou água limpa, e foi um grande choque para mim e algo que sempre me lembrarei, porque você deve se lembrar que nem todo mundo tem acesso ao que você tem.

Memórias favoritas? 

Cory: Depois de Frei Lagonegro, fomos a uma cidade chamada Mantenópolis para ver a avó de Jerry e passar tempo com os amigos. Enquanto eu estava lá, fomos colher mangas, fomos a um parque aquático, etc. … Foi um prazer conhecer tantas pessoas maravilhosas enquanto eu estava no Brasil e passaro tempo os conhecendo. Enquanto estava em Mantenópolis, saímos à noite com amigos, jantamos e muito mais. Foi interessante para mim como as pessoas ficam acordadas até tarde à noite porque lembro de uma noite ficarmos acordados até às 2 da manhã e, no entanto, ninguém estava cansado, o que foi estranho para mim, mas ao mesmo tempo uma ótima experiência porque mais uma vez você vê como as pessoas vivem. 

Vitória no Espírito Santo foi a minha parte favorita da viagem, Vitória é uma cidadegigantesca na costa leste do Brasil, com belas praias e vistas. Foi fantástico em vários aspectos, como ir à praia e ser servido por um garçom na praia a qualquer momento. Também de estar presente com o Jerry enquanto ele fazia a sua primeira tatuagem. O Brasil me ensinou muito.

Eu não posso dizer muito mais, além de que minha viagem ao Brasil com o meu melhor amigo Jerry será uma que sempre irei carregar comigo enquanto viver.