Despedindo-se da ilha, um pastor brasileiro diz: "Até breve"

Published: October 22, 2009

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Neste sábado, dia 24 de outubro, Ozias e Tereza Costa, pastores na comunidade brasileira, se despedirão da ilha. Sonia Cardoso Barbosa de Vineyard Haven entrevistou Ozias Costa, o seu pastor na Igreja do Avisamento Mundial em Oak Bluffs. O que segue é um extrato da sua entrevista.

ALTTEXT, Martha's VineyardPastors Ozias and Tereza Costa. Photo by Ralph Stewart

"Estou com 56 anos e minha esposa Tereza com 54. Deixamos nossos filhos no Brasil," diz Pr. Ozias. "Temos duas meninas e um menino. Todos são casados e nos deram quatro netos maravilhosos. Quando deixamos nossos filhos eles choraram muito, mas sabiam que viríamos para ajudar outras pessoas, e isto incluia deixá-los por um pouco de tempo."

Pr. Ozias lembra estranhando muito o clima e o jeito das pessoas: "De onde viemos, São Paulo, a cidade não pára 24 horas. Lá temos restaurantes que funcionam a noite toda. Nossa chegada foi em Dezembro e víamos poucas pessoas nas ruas .Só encontravamos o povo quando íamos ao supermercado, correio, igreja etc. Minha esposa chorava muito com saudades dos filhos, mas graças a Deus pelo telefone.

"Desde que chegamos ajudamos muito as famílias que tem problemas como qualquer ser humano. Saudades, doenças aquí ou em familiares do Brasil. Visitamos hospitais, casas e até fui acompanhar alguem na corte."

Pr. Ozias e sua esposa Tereza, que também é pastor, se impressionaram pelo povo trabalhador que encontraram aqui, tanto imigrantes como os próprios americanos: "Todos querem vencer.

"Em nossa comunidade temos pintores, faixineiras, motoristas, babás, pastores, secretárias, agentes imobiliários, policiais etc. e sei que todos são amados pelos americanos. Nosso povo brasileiro é trabalhador! No verão quando poderíamos ter mais tempo ao sol, é época de ganhar dinheiro e poucos se divertem."

Falando das dificuldades de comunicação entre as línguas, ele comenta: "Os americanos são muito gentís conosco. É lógico que nós que temos mais idade encontramos dificuldade em aprender inglês, mas nada que um gesto, e mais a boa vontade dos americanos, que não se irritam conosco, nos ajude a comprar e até vender. [Risos.] Domingos pela manhã temos escola dominical, e temos uma classe de adolescentes em inglês. Os filhos nascidos ou criados aqui precisam conservar a língua portuguesa, assim no futuro vão dominar duas ou mais idiomas."

Superando as diferenças culturais tem sido importante no seu trabalho. Pr. Ozias explica: "Nas datas importantes para o calendário americano, procuramos fazer algo entre os brasileiros para que nosso povo não fique fora da realidade.

"Todo brasileiro tem um sonho: andar direito com as leis, para fazer desta ilha um lugar para se viver em harmonia. Tenho visto que os brasileiros que aqui vivem documentados estão tão confortáveis que se confundem com americanos. E isto é bom.

"Nós sempre pedimos a Deus que abençoe o povo americano e seus governantes, para abrir leis que ajudem os imigrantes a andarem certos com o país e com eles mesmos. Pois assim o pais sairá ganhando também. Taxas serão pagos, carros terão documentos certos e eles poderão andar de cabeça erguida. Sabemos que no meio de todo povo existem os que se comportam bem e os que não, e isto não é cultura isto faz parte da raça humana."

Antes de que os dois pastores chegaram na ilha, tinham poucas igrejas brasileiras, mas a comunidade foi crescendo e agora inclui dez igrejas. Pr. Ozias explica: "Aqui na ilha não temos espaço suficiente para que todos participem ao mesmo tempo dos serviços religiosos. Temos igrejas com 200 pessoas, outras com 50, 30, e por aí vai. Deus em sua soberana sabedoria não quer que ninguem fique sem um lugar para adorá-lo, concorda?

"Tereza e eu vamos nos despedir dia 24 da igreja onde congregamos. E queremos deixar nosso agradecimento a todos que nos amam, e dizer aos pastores que ficam: Amem as pessoas que trabalham com vocês, e se um dia tiverem que deixá-los, que todos digam 'até breve,' e não 'graças a Deus que foi embora.' Não esqueça: Só com amor se vence!"

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