For these Martha’s Vineyard couples, love transcends culture

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Clockwise from top left: Amy and Rene Da Silva; Justine, Paulo, and Mateo Deoliveira; John and Alena Grady; John, Alena, Sawyer and Wiatt Grady; Rose, John, and Ryan Murray; Paulo, Luiza, Mateo, and Justine Deoliveira. - Photos Courtesy of Couples Pictured — Photo by Carol Grant

A tradução deste artigo se encontra no final da versão em inglês

In the fairy tales, two lovers meet, look into one another’s eyes, and live happily ever after. As we all know, in real life that’s not how it works. It takes work to make a relationship succeed, and if it’s a multicultural relationship, maybe even a little extra work. But for many couples living on the Vineyard, it’s well worth the effort.

“I have always loved exploring new cultures,” Amy Koenig Da Silva, an American married to a Brazilian, said. “I lived in Costa Rica, Ireland, and Bangladesh by myself for several months each. My husband and I never imagined that we would marry someone outside our own culture, but we’ve both always been particular about finding meaningful love, and open to people of other cultures.”

When Rose Murray, a native Brazilian married to an Irish native, moved to the Island as a single woman in 1988, she never imagined that she would meet the man who would become her life partner in the United States. “I never thought I would marry someone from a different country,” Rose said. “I had never traveled outside of Brazil before moving to the Island, and the day I arrived on Martha’s Vineyard in 1988 was the day I met my future husband. It took me a lot of pondering, since I had no family in the United States, and it was a major decision. We decided to visit each other’s countries and meet our extended families before we made the decision to get married.”

Justine Deoliveira, an American married to Paulo Deoliveira, a native Brazilian, explains the challenge of living in a bilingual family. “Although it is believed that love is the universal language,” she said, “one of the many important aspects of an intercultural marriage is dealing with different languages. English is often the language spoken in our home. We want so badly to be able to use Portuguese, but English is much quicker for us. The mental exhaustion that can happen when switching between languages, especially when you are not as strong with one as the other, combined with the craziness of daily life, makes it hard for us to stay with Portuguese. But we want to keep that language alive for our children. We read to our kids in Portuguese, and expose them to music and TV shows in Portuguese whenever possible.”

The American custom of reading to kids before they go to bed wasn’t a cultivated habit for Paulo Deoliveira when he was growing up; however, now it has become a priority for him to read to his kids before they go to bed, either in English or Portuguese. “One of my favorite activities, when we are visiting Brazil, is to go to bookstores to find books in Portuguese that our kids will enjoy,” Justine Deoliveira said. “I also really appreciate how Brazilians treat their friends’ and family’s kids. If you are at a party, Brazilians will look after all kids as if they were their own. Also, Paulo and I are in an egalitarian marriage, and I appreciate that he is as involved as I am, which is crucial since we are both working parents.”

John Grady, an American married to a Russian native, is trying his best to learn his wife’s mother tongue. “I know how to say a few phrases,” John explained. “I also bought the Rosetta Stone software, hoping to someday, when things slow down, complete the program.”

Amy Da Silva talked about the challenge of having a language barrier: “I end up taking on almost all emails, forms, phone calls, bills, online orders, etc. because I am the one fluent in English. There can be a lot of extra stressors and responsibilities for us.”

Ultimately, however, the challenges and responsibilities that these couples face are not that different from those facing single-culture couples. There just has to be plenty of room for compromise, negotiations, and mutual respect, especially when navigating important subjects such as the choice of religion, child rearing, and trying to preserve cultural memory, language, and heritage.These are topics carefully discussed.

“We are a team, working toward common goals,” explained John Grady. “We both feel that it is our responsibility to pass along our heritage, even if it is challenging.” Amy Da Silva elaborated on the topic: “Marriage necessitates that you examine your core values. I wasn’t religious, but I always felt that faith was missing from my life, so I chose to study Catholicism [her husband Rene’s religion from birth], and was baptized and confirmed before our wedding. We’re raising our children to be Catholic as well.”

The first time visiting a spouse’s home country and visiting the places that formed a partner’s personality can be exhilarating, but sometimes frustrating. “My first visit to Ireland was fabulous,” said Rose Murray.

“Ireland and its people are truly enchanting. The land is beautiful, and it has such a rich history and coming from South America, it was a whimsical experience to enter churches from the first century.”

It took John Grady some time to feel comfortable in his wife’s native country: “The first time we traveled to Russia, it was exhausting. It took us a couple of days of traveling to get there, and we were traveling with an infant at the time. On our second visit, however, we got to visit Red Square in Moscow on New Year’s Eve. New Year’s is the most important holiday in Russia, and it was breathtaking.”

Portuguese Translation- Tradução em português

Em um conto de fadas, duas pessoas se conhecem, se olham nos olhos e vivem felizes para sempre. Como nós sabemos, na vida real não é assim que funciona. Para uma relação ser sucedida, principalmente se for uma relação multicultural, talvez precise de um pouco mais de atenção. Mas para muitos casais em Martha’s Vineyard, os esforços dedicados as suas relações valem muito a pena.

“Eu sempre amei explorar novas culturas,” Amy Koening Da Silva, uma americana casada com um brasileiro, disse. “Eu morei sozinha na Costa Rica, Irlanda e Bangladesh, e muitas vezes por diversos meses em cada região. Meu esposo e eu nunca imaginamos que um dia casaríamos com alguém de uma outra cultura, mas nós sempre quisemos encontrar um amor de verdade, e sempre fomos abertos a novas pessoas e culturas.”

Quando Rose Murray, uma brasileira casada com um irlandês, mudou-se para Martha’s Vineyard como uma mulher solteira em 1988, ela nunca imaginou que iria conhecer na ilha o homem  o qual viria a tornar-se seu parceiro de vida. “Eu nunca imaginei que me casaria com alguém de um país que não fosse o meu” disse Rose. “Eu nunca havia viajado para fora do Brasil antes de me mudar para a ilha, e o dia que cheguei na ilha foi o dia que conheci meu futuro esposo. Eu levei um tempo para pensar, já que eu não tinha família nos Estados unidos, e também era uma grande decisão. Nós decidimos visitar o Brasil e a Irlanda assim como conhecer as famílias de cada um antes de nos casarmos.”

Justine Deoliveira, uma americana casada com Paulo Deoliveira, um brasileiro, explicou alguns desafios de fazer parte de uma família bilíngue. “Apesar de eu acreditar que o amor é a língua universal,” ela disse, “um dos muitos aspectos importantes de um casamento intercultural é lidar com as línguas diferentes. O Inglês muitas das vezes é a língua mais falada em nossa casa. Nós queremos muito utilizar mais o português, mas o inglês é muito mais dinâmico para nós. A exaustão mental que acontece quando trocando de línguas, especialmente se um de nós é mais desenvolvido do que o outro em determinada língua, combinado com o stress gerado no dia a dia, faz com que o português nem sempre seja a língua usada por nós. Porém queremos muito manter o português uma língua ativa para nossos filhos. Nós lemos para os nossos filhos em português, como também introduzimos a eles músicas e programas de televisão em português sempre que possível.”

O costume americano de ler para as crianças antes de colocá-las para dormir nem sempre foi um hábito cultivado na casa de Paulo Deoliveira quando ele era uma criança, porém, agora que ele tem seus próprios filhos este hábito é primordial  para ele, tanto que lê para seus filhos sempre antes de colocá-los para dormir, seja em português ou inglês. “Uma das minha atividades favoritas quando visitamos o Brasil é de visitar livrarias em busca de livros em português que os nossos filhos irão gostar” disse Justine. “Outro elemento que eu também acho muito legal, é de como brasileiros em geral tratam e cuidam dos filhos de seus amigos e familiares. Se você está em uma festa, os brasileiros irão cuidar de todas as outras crianças como se as mesmas fossem seus filhos. Eu e o Paulo fazemos parte de um casamento igualitário, sou muito grata pelo fato de que ele é tão presente quanto eu, o que é crucial uma vez que nós dois trabalhamos”

John Grady, um americano casado com uma russa, está tentando aprender a língua nativa de sua esposa. “Eu sei dizer algumas frases,” explica John. “ Eu também comprei o Rosetta Stone, esperando que um dia, quando as coisas acalmarem, eu possa completar o programa.” Amy Da Silva falou também dos desafios gerados devido as barreiras linguísticas “Eu acabo me responsabilizando pelos e-mails, formulários, telefonemas, contas, compras pela internet, etc., já que eu sou a pessoa em nosso casamento fluente em inglês. Isto pode ser um fator estressante, bem como de  responsabilidades extras para nós.”

Consequentemente, os desafios e responsabilidades que estes casais enfrentam não são tão diferentes daqueles que casais casados com pessoas que compartilham suas culturas enfrentam. O que estes casais requerem são negociações, respeito e cuidado com o que é importante para cada um, principalmente quando navegam escolhas importantes como qual religião será adotada, cuidados com os filhos, a preservação da memória cultural de seus parceiros, a língua e herança. Estes são tópicos cuidadosamente discutidos.

“Nós somos um time, trabalhando para os mesmos objetivos,” explicou John Grady. “Nós dois sentimos que é a nossa responsabilidade de passar adiante nossa herança, o que às vezes é desafiante.” Amy Da Silva elaborou no assunto: “Casamento faz com que você exercite e examine seus princípios. Eu não era religiosa, mas sempre sentia que a fé era algo que precisava na minha vida, por isso eu escolhi estudar o catolicismo [a religião do meu esposo Rene], e fui batizada, assim como fiz crisma antes de nosso casamento. Nós estamos criando nossos filhos para serem católicos.”

A primeira visita ao país nativo de seu esposo ou esposa, assim como aos lugares que ajudaram moldar aspectos característicos de seu cônjuge pode ser emocionante, mas às vezes também frustrantes. “A minha primeira visita à Irlanda foi fantástica,” disse Rose Murray.

A Irlanda e seus cidadãos são realmente encantadores. É um país muito bonito, com uma história rica, e vindo da América do Sul, foi uma experiência divina de poder entrar nas igrejas do primeiro século.”

Levou um tempo para John Grady se sentir confortável no país nativo de sua esposa. “A primeira vez que eu visitei a Rússia foi exaustivo. Levou uns dois dias de viagem e nós estávamos viajando com um bebê na época. Porém, já na nossa segunda visita, nós fomos até uma praça bem famosa, a Red Square em Moscou no réveillon. O ano novo para os russos é uma data muito importante, e estar nesta praça em um dia tão significativo foi de tirar o fôlego.”